Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) agora tem um novo nome: entenda por que isso muda tudo

SOP agora é SOMP

Durante décadas, a chamada “Síndrome dos Ovários Policísticos” (SOP) foi vista principalmente como um problema ginecológico relacionado à menstruação irregular e dificuldade para engravidar. Porém, a ciência evoluiu — e hoje sabemos que essa condição vai muito além dos ovários.

Em 2026, um grande consenso internacional publicado na revista científica The Lancet reuniu especialistas, sociedades médicas e milhares de pacientes do mundo inteiro para redefinir oficialmente a doença. O novo nome aprovado foi:

Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)

Essa mudança representa um avanço importante, porque o antigo nome era considerado impreciso e limitava a compreensão da doença. Muitas mulheres acreditavam que precisavam ter “cistos nos ovários” para ter SOP — o que nem sempre é verdade. Além disso, o nome antigo não refletia o impacto hormonal, metabólico e inflamatório sistêmico da condição.

 

Uma das doenças hormonais mais frequentes do mundo

A SOMP afeta aproximadamente 1 em cada 8 mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das doenças endocrinológicas mais comuns no mundo. Estima-se que mais de 170 milhões de mulheres convivam com essa síndrome globalmente.

O problema é que até 70% das pacientes permanecem sem diagnóstico adequado durante anos. Muitas mulheres passam grande parte da vida ouvindo que “é normal menstruar irregularmente”, “é apenas ansiedade”, “é genética” ou “é só excesso de peso”, enquanto a doença continua evoluindo silenciosamente.

Muito além dos ovários: uma doença sistêmica

Hoje sabemos que a SOMP envolve alterações hormonais complexas e importantes distúrbios metabólicos.

A condição pode estar associada a:

  • resistência à insulina;
  • aumento do risco de diabetes tipo 2;
  • ganho de peso e dificuldade para emagrecer;
  • aumento da gordura abdominal;
  • colesterol elevado;
  • hipertensão arterial;
  • gordura no fígado;
  • apneia do sono;
  • infertilidade;
  • irregularidade menstrual;
  • acne e aumento de pelos;
  • queda de cabelo;
  • ansiedade e depressão;
  • maior risco cardiovascular ao longo da vida.

 

Além disso, estudos mostram que mulheres com SOMP apresentam maior risco de doença cardiovascular, infarto e AVC quando comparadas à população geral.

A resistência à insulina é um dos principais pilares da doença

Um dos pontos mais importantes da PMOS é a resistência à insulina, presente na maioria das pacientes — inclusive em mulheres magras.

Quando o organismo produz insulina em excesso, isso estimula os ovários a produzirem mais hormônios androgênicos, piorando sintomas como acne, aumento de pelos, dificuldade para emagrecer e alterações menstruais. Esse ciclo hormonal e metabólico perpetua a inflamação e favorece complicações futuras.

Por isso, o tratamento moderno da SOMP não deve focar apenas na menstruação ou na fertilidade, mas também na saúde metabólica global da paciente.

O acompanhamento com endocrinologista faz diferença

A boa notícia é que, quando diagnosticada precocemente, a  tem tratamento e controle muito eficazes.

O acompanhamento endocrinológico permite:

  • identificar alterações hormonais e metabólicas precocemente;
  • prevenir diabetes e doenças cardiovasculares;
  • melhorar sintomas como acne, pelos e irregularidade menstrual;
  • auxiliar na perda de peso;
  • reduzir inflamação e resistência insulínica;
  • melhorar fertilidade e ovulação;
  • melhorar qualidade de vida e saúde emocional.

 

O tratamento é individualizado e pode incluir:

  • mudanças no estilo de vida;
  • orientação nutricional;
  • atividade física;
  • controle do sono;
  • medicamentos para resistência insulínica;
  • terapias hormonais;
  • medicamentos modernos para obesidade e metabolismo quando indicados.

 

A importância de olhar a mulher de forma integral

A mudança do nome para SOMP reforça algo que os endocrinologistas já observam há anos: essa não é apenas uma doença dos ovários.

Trata-se de uma condição hormonal, metabólica e inflamatória sistêmica que precisa ser reconhecida precocemente para evitar complicações futuras e melhorar a saúde da mulher como um todo.

Com informação adequada, diagnóstico correto e acompanhamento especializado, é possível controlar a doença, reduzir riscos e devolver qualidade de vida às pacientes.

Referência científica:
Teede HJ et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. The Lancet, 2026.

Foto de Dr. Ísio Carvalho

Dr. Ísio Carvalho

CRM 110852
RQE 22464 / 24463